ANO NOVO
Velho adoleço
nasce idade
fique ou vá vem o fato
prenhe de contingências
acontecimentos rubros
reabrindo feridas esquecidas
meço o tempo pelas cicatrizes
recomeço contando os pontos fracos.
Ando sem mapa pela cidade
liquidado
aos cubos
sorvido qual suco servido
à moda antiga
à moda da casa velha
que um dia-a-dia desses
será apenas estatística
nas idas e vindas
da idade média.
Amanhã que já vem tarde
o depois que nunca foi
o ano vindouro
o avante com a bandeira
em nome da mesma luta
fragmentos da grande guerra
para conseguir ficar em paz
nos temporais pós-modernos.
Mais do mesmo
menos mal se o bem viesse
já que não veio ano passado
já que não veio
ainda há quem espere
doEnte o Ser
entre o Sub e o Trans
nada haver
poucos sãos
que se desesperam.
02 Janeiro, 2010
26 Agosto, 2009
09 Agosto, 2009
NÃO-LUGAR

Você tem tudo a aprender: a indiferença, a paciência, o silêncio. Você deve desabituar-se de tudo: de ir ao encontro daqueles com quem tanto tempo conviveu, de fazer as refeições, tomar seu café no lugar que cada dia outros reservaram para você, defenderam às vezes para você, de arrastar-se na cumplicidade enfadonha das amizades que sobrevivem sem fim, no rancor oportunista e covarde das ligações que se esfiaparam.
Georges Perec

Você tem tudo a aprender: a indiferença, a paciência, o silêncio. Você deve desabituar-se de tudo: de ir ao encontro daqueles com quem tanto tempo conviveu, de fazer as refeições, tomar seu café no lugar que cada dia outros reservaram para você, defenderam às vezes para você, de arrastar-se na cumplicidade enfadonha das amizades que sobrevivem sem fim, no rancor oportunista e covarde das ligações que se esfiaparam.
Georges Perec
05 Junho, 2009
27 Maio, 2009
MATCH POINT
Frase ouvida em sala de aula nos tempos em que todo homem, por natureza, desejava conhecer.
" [...] o que se pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto."
Erico Veríssimo
12 Maio, 2009
O CAMINHO SEM RASTROS

Ao reconhecer algo como belo
Já se pressupõe a feiúra
Ao tomar consciência do bem
Criamos o mal.
Ser e não-ser se confundem
E se geram mutuamente
Fácil e difícil se complementam
O longo e o curto se definem um ao outro
Alto e baixo convivem
Som e silêncio formam harmonias
Anverso e reverso coincidem
O antes e o depois se seguem e se sucedem
Por isso o caminhante conhece
Sem afirmações categóricas
Permanece na ação sem agir
E lança ensinamentos sem palavras.
As diferentes coisas
Operam sem serem impedidas
Nascem sem serem possuídas
Atuam sem serem dominadas
Mas o que segue o caminho
Não descuida delas
Produz mas não reclama posse
Realiza e não se vangloria dos resultados
Alcança objetivos sem reivindicar créditos
Por não almejar mérito
Este não o abandona
Terminada sua obra
Está sempre no princípio
E por isso prospera.
Laozi. Dao De Jing. Tradução livre e indireta via edição javanesa.
04 Maio, 2009
CAMINHANDO
Andar, a arte da progressão colocando um pé metodicamente adiante do outro, é o meio de locomoção mais venerável e universal da humanidade e o tem sido durante um milhão de anos. Andar no sentido mais nobre é um processo regular inspirado pelos bosques e pelas colinas, por rios e pelas flores do campo, uma fruição serena das eternas fontes de alegria. Andar leva à meditação. Ou talvez se devesse dizer que só aqueles de espírito filosófico andam, verdadeiramente, receptivos à beleza que está por toda parte na natureza não poluída pelo homem.
O texto acima encontra-se na Enciclopédia Britânica, verbete to walk. Tradução de Roberto Muggiati.
26 Abril, 2009
UM TOQUE DE ADEUS
Corpo Letárgico
Composição: Manoel Tchembo / Michel Aranalde
O corpo letárgico revela
A alma litúrgica que vela
Tua mente lisérgica
E nela o amor letal
Jogo poemas dadas nos lados de um dado
Jogo poemas concretos de ponte de safena
Mas é jogo perdido apostar num coração desperdiçado,
Melhor a despedida ao despedaço
Palavras ao ar
Garrafas ao mar
Embebido em maresia mergulho em abstrações
O rosto na rede
O resto no anzol
O rastro no sal
Peço a um coral que cante por ti
Atiro de ostras balas de canhão
No inevitável naufrágio das ilusões
Corpo Letárgico
Composição: Manoel Tchembo / Michel Aranalde
O corpo letárgico revela
A alma litúrgica que vela
Tua mente lisérgica
E nela o amor letal
Jogo poemas dadas nos lados de um dado
Jogo poemas concretos de ponte de safena
Mas é jogo perdido apostar num coração desperdiçado,
Melhor a despedida ao despedaço
Palavras ao ar
Garrafas ao mar
Embebido em maresia mergulho em abstrações
O rosto na rede
O resto no anzol
O rastro no sal
Peço a um coral que cante por ti
Atiro de ostras balas de canhão
No inevitável naufrágio das ilusões
UM TOQUE APAIXONADO
Conjunto Solução
Composição: Manoel Tchembo / Michel Aranalde
Entro no teu mundo pisando leve, como quem pisa um jardim
Mas os passos são de um elefante, num telhado feito de sonhos
Falo frases soltas como quem recita um poema
Mas as palavras não são amenas, mas de metralhadora,
No tiro ao alvo das intenções...
Sei que o melhor dos mundos possíveis neste infinito universo
Real, imaginário, direito e avesso do original, mundo sistema,
Que meu satélite percorre mistério poema, que me atrai e que me acolhe,
Me acolhe...
Lúdico, quero jogar o jogo com as regras que a gente inventar,
Sério, quero amar e rir desse caso sério até cansar
Lógico, quero ser seu, ô ô, lógico quero ser seu
Em qualquer interpretação quero ser seu, conjunto solução...
Só não me deixe sozinho neste universo infinito só e soluçando
fique perto de mim e me deixe ser o teu conjunto solução.
Conjunto Solução
Composição: Manoel Tchembo / Michel Aranalde
Entro no teu mundo pisando leve, como quem pisa um jardim
Mas os passos são de um elefante, num telhado feito de sonhos
Falo frases soltas como quem recita um poema
Mas as palavras não são amenas, mas de metralhadora,
No tiro ao alvo das intenções...
Sei que o melhor dos mundos possíveis neste infinito universo
Real, imaginário, direito e avesso do original, mundo sistema,
Que meu satélite percorre mistério poema, que me atrai e que me acolhe,
Me acolhe...
Lúdico, quero jogar o jogo com as regras que a gente inventar,
Sério, quero amar e rir desse caso sério até cansar
Lógico, quero ser seu, ô ô, lógico quero ser seu
Em qualquer interpretação quero ser seu, conjunto solução...
Só não me deixe sozinho neste universo infinito só e soluçando
fique perto de mim e me deixe ser o teu conjunto solução.
25 Abril, 2009
UM TOQUE ECOLÓGICO
Teu Céu Mental
Composição: Manoel Tchembo / Michel Aranalde
Sabiá que Bem-te-vi nos campos
Quero-quero queria cantar
Tu me Traíra, tu quis me Jundiá
Os rios são veios de sangue
Em minhas veias rios de vinho
Amar o mar tem gosto amargo
E da floresta nem flor resta
Vou ti jogar um verde
Se mentes és artificial
Semeias mentiras, és infrutífero
Erva daninha, fique longe bem looooooonge
Te quero verde, te quero maduro
Vou plantar bananeira no teu quintal
Te quero verde, te quero maduro
E despoluir o teu céu mental
Sabiá que Bem-te-vi nos campos
Quero-quero queria cantar
Tu me Traíra, tu quis me Jundiá
Os rios são veios de sangue
Em minhas veias rios de vinho
Amar o mar tem gosto amargo
E da floresta nem flor resta
Vou ti jogar um verde
Se mentes és artificial
Semeias mentiras, és infrutífero
Erva daninha, fique longe de mim
Te quero verde, te quero maduro
Vou plantar bananeira no teu quintal
Te quero verde, te quero maduro
E despoluir o teu céu mental
"Não há muito a se esperar de uma nação quando sua cobertura vegetal chega ao fim, e ela se vê obrigada a fazer adubo dos ossos de seus antepassados."
Teu Céu Mental
Composição: Manoel Tchembo / Michel Aranalde
Sabiá que Bem-te-vi nos campos
Quero-quero queria cantar
Tu me Traíra, tu quis me Jundiá
Os rios são veios de sangue
Em minhas veias rios de vinho
Amar o mar tem gosto amargo
E da floresta nem flor resta
Vou ti jogar um verde
Se mentes és artificial
Semeias mentiras, és infrutífero
Erva daninha, fique longe bem looooooonge
Te quero verde, te quero maduro
Vou plantar bananeira no teu quintal
Te quero verde, te quero maduro
E despoluir o teu céu mental
Sabiá que Bem-te-vi nos campos
Quero-quero queria cantar
Tu me Traíra, tu quis me Jundiá
Os rios são veios de sangue
Em minhas veias rios de vinho
Amar o mar tem gosto amargo
E da floresta nem flor resta
Vou ti jogar um verde
Se mentes és artificial
Semeias mentiras, és infrutífero
Erva daninha, fique longe de mim
Te quero verde, te quero maduro
Vou plantar bananeira no teu quintal
Te quero verde, te quero maduro
E despoluir o teu céu mental
"Não há muito a se esperar de uma nação quando sua cobertura vegetal chega ao fim, e ela se vê obrigada a fazer adubo dos ossos de seus antepassados."
Henry David Thoreau
17 Abril, 2009
OUVIR E FALAR
Ouvir a todos como se escutasse a cada um
Falar a cada um como se dissesse a todos.
Ouvir a todos como se escutasse a cada um
Falar a cada um como se dissesse a todos.
.
.
"Para não ser mudo, deve-se começar por não ser surdo."
Eduardo Galeano
16 Abril, 2009
L
----A
--------R
-------------A
------------------N
----------------------J
--------------------------A
-------------------------------S
Após colher laranjas do céu
lançou ao espaço-a-passos perdidos
com inútil gravidade metódica
de forma lenta e gradual
um de cada vez por outra
os degraus de impossíveis escadas.
Pensou em laranjas de umbigo
quando gerou vácuo
entre os fios elé-tricôs
e o cordão da calçada nascimentada
trifásico desfez o caminho ao meio
de quebra fez a queda sem asavessas.
Feito laranja da terra
a certa altura rodopiou sobre tudo
em rota cega sobra nada
caiu duro em si mesmo
sucolento maduro
asfaltando pedaços.
.
.
.

----A
--------R
-------------A
------------------N
----------------------J
--------------------------A
-------------------------------S
Após colher laranjas do céu
lançou ao espaço-a-passos perdidos
com inútil gravidade metódica
de forma lenta e gradual
um de cada vez por outra
os degraus de impossíveis escadas.
Pensou em laranjas de umbigo
quando gerou vácuo
entre os fios elé-tricôs
e o cordão da calçada nascimentada
trifásico desfez o caminho ao meio
de quebra fez a queda sem asavessas.
Feito laranja da terra
a certa altura rodopiou sobre tudo
em rota cega sobra nada
caiu duro em si mesmo
sucolento maduro
asfaltando pedaços.
.
.
.

26 Fevereiro, 2009
30 Janeiro, 2009
O PRIMEIRO AMOR

Definitivamente era um garoto estranho. Enquanto seus amigos jogavam futebol e devoravam nus de revistinhas sacanas ele idolatrava a capa daquele LP. Nunca se soube porque um disco chamado 'Eterno como Areia' havia aportado na estante da sala de jantar. Ainda mais porque seus pais nunca haviam escutado o disco. Ele havia se apaixonado pela foto de uma cantora chamada Diana Pequeno e cantava até a exaustão o indecifrável refrão de uma das músicas: "agora é que eu quero ver se couro de gente é pra queimar...". Sabe-se lá o que isso significava, mas não importava. O delírio era escutar a música olhando a foto de sua Deusa. Posso observá-lo neste exato momento separando a imensidade de discos e classificando por gênero ou cores, ou selos. O mesmo ele faz com os livros da gigantesca estante (quando o tempo passar a estante ficará menor, mas ele ainda não sabe disso). Separa os livros primeiro por tamanho, mas percebe que os mesmos autores não podem ficar juntos dessa forma. Então separa por autores e percebe que os assuntos são diferentes. Que confusão! Eu o observo curioso para saber o próximo passo. Ele não percebe minha presença. Parece que não estou lá, mas estou. Como é possível estar e não estar lá ao mesmo tempo, mas sob diferentes aspectos. A imagem do garoto começa e ficar desbotada, a estante também perde a cor, os discos começam a ficar menores e prateados, os livros amarelados e gastos. É melhor não pensar em conseqüências lógicas, pois como tudo na vida a lógica também tem os seus momentos e este é apenas o de observar o jovem entretido com seus discos e livros. Sim! São dele porque ele os lê e admira suas capas e ouve as canções e decora as letras. Hoje os LPs estão guardados por gênero: primeiro as cantoras por nome em ordem alfabética e depois os cantores. Já os livros estão organizados por cores começando dos claros para os mais escuros. Amanhã ele pensará em outra forma se guardar seus tesouros. Então, ele ri da sua vontade de burlar a ordem que criou: pega o LP da Diana Pequeno, dá um beijo na imagem da cantora, ruboriza e olha para os lados para ver se não foi flagrado por nenhum outro habitante da velha casa. Guarda o disco no início da grande pilha e sai correndo para o pátio para comer frutas maduras diretamente do generoso pé de caqui. Vou embora assobiando uma antiga canção "que alumiou toda terra e mar...". Definitivamente sou um cara muito esquisito.

Definitivamente era um garoto estranho. Enquanto seus amigos jogavam futebol e devoravam nus de revistinhas sacanas ele idolatrava a capa daquele LP. Nunca se soube porque um disco chamado 'Eterno como Areia' havia aportado na estante da sala de jantar. Ainda mais porque seus pais nunca haviam escutado o disco. Ele havia se apaixonado pela foto de uma cantora chamada Diana Pequeno e cantava até a exaustão o indecifrável refrão de uma das músicas: "agora é que eu quero ver se couro de gente é pra queimar...". Sabe-se lá o que isso significava, mas não importava. O delírio era escutar a música olhando a foto de sua Deusa. Posso observá-lo neste exato momento separando a imensidade de discos e classificando por gênero ou cores, ou selos. O mesmo ele faz com os livros da gigantesca estante (quando o tempo passar a estante ficará menor, mas ele ainda não sabe disso). Separa os livros primeiro por tamanho, mas percebe que os mesmos autores não podem ficar juntos dessa forma. Então separa por autores e percebe que os assuntos são diferentes. Que confusão! Eu o observo curioso para saber o próximo passo. Ele não percebe minha presença. Parece que não estou lá, mas estou. Como é possível estar e não estar lá ao mesmo tempo, mas sob diferentes aspectos. A imagem do garoto começa e ficar desbotada, a estante também perde a cor, os discos começam a ficar menores e prateados, os livros amarelados e gastos. É melhor não pensar em conseqüências lógicas, pois como tudo na vida a lógica também tem os seus momentos e este é apenas o de observar o jovem entretido com seus discos e livros. Sim! São dele porque ele os lê e admira suas capas e ouve as canções e decora as letras. Hoje os LPs estão guardados por gênero: primeiro as cantoras por nome em ordem alfabética e depois os cantores. Já os livros estão organizados por cores começando dos claros para os mais escuros. Amanhã ele pensará em outra forma se guardar seus tesouros. Então, ele ri da sua vontade de burlar a ordem que criou: pega o LP da Diana Pequeno, dá um beijo na imagem da cantora, ruboriza e olha para os lados para ver se não foi flagrado por nenhum outro habitante da velha casa. Guarda o disco no início da grande pilha e sai correndo para o pátio para comer frutas maduras diretamente do generoso pé de caqui. Vou embora assobiando uma antiga canção "que alumiou toda terra e mar...". Definitivamente sou um cara muito esquisito.
25 Novembro, 2008
16 Novembro, 2008
Uma grande lição para os pequenos tiranos
ou porque a verdadeira revolução é a tomada de consciência

Uma grande revolução é como o rio da evolução transformado bruscamente em torrente que desemboca em cascata, fora do controle de seus navegantes. Nele se perdem ou morrem quase todos, e com as mudanças de condições sendo alteradas, o trabalho realizado é levado sempre mais à frente por seus sucessores. Aqueles que conseguem sobreviver numa época revolucionária perecem igualmente ou são transformados, de sorte que, após a tormenta, quase ninguém consegue influir na nova evolução de modo ativo e salutar. Em outros termos, a revolução, assim como a guerra, destrói, consome ou muda os homens, fazendo deles déspotas independente de qual tenha sido sua posição precedente, e torna-os pouco aptos, depois de tais experiências, a defender a liberdade.
MAX NETTLAU
ou porque a verdadeira revolução é a tomada de consciência
Uma grande revolução é como o rio da evolução transformado bruscamente em torrente que desemboca em cascata, fora do controle de seus navegantes. Nele se perdem ou morrem quase todos, e com as mudanças de condições sendo alteradas, o trabalho realizado é levado sempre mais à frente por seus sucessores. Aqueles que conseguem sobreviver numa época revolucionária perecem igualmente ou são transformados, de sorte que, após a tormenta, quase ninguém consegue influir na nova evolução de modo ativo e salutar. Em outros termos, a revolução, assim como a guerra, destrói, consome ou muda os homens, fazendo deles déspotas independente de qual tenha sido sua posição precedente, e torna-os pouco aptos, depois de tais experiências, a defender a liberdade.
MAX NETTLAU
10 Novembro, 2008
04 Novembro, 2008
SIM OU NÃO
Dizia sempre a fatídica palavra não importando a circunstância. Era um hábito adquirido, mas houvera um tempo em que simplesmente não dizia nada. Apenas ouvia sem compreender direito como tantos sons podiam carecer de significado. Ainda criança, quando morreu de desgosto pela primeira vez, resolveu concordar com o nonsense. No início a emitiu como um engasgo, mas depois acostumou e seguiu dizendo. Escravizou-se como mero serviçal da insensatez. Fazendo favores estúpidos e agradecendo estupidamente, juntando trastes inúteis, carregando sacolas de pecados alheios, sendo garoto de recados, servindo de bucha de canhão, e/ou isca de tubarão e/ou boi de piranha. Um dia um amigo perguntou se ele não conhecia aquela palavra com três letrinhas. Ele sorriu e respondeu: SIM! Entretanto, o que realmente modificou sua atitude foi o encontro com o Sr. Bartleby. A partir daí achou melhor não dizer mais. "Acho melhor não fazer" tornou-se um lema...e tinha sentido e significado!!! Por quê? Acho melhor não dizer...01 Novembro, 2008
o coração da maçã amadureceu
guardado na garagem
entre velhas folhadas de jornal
migalhas de notícias adormecidas
esperando a derradeira viagem
a lição sabia de cor
mudou de cor
corou a verdejante vergonha
de sair ao mundo exterior
rubra coragem de agir
como mão-de-obra
mostrar-se vazio
sugar a seiva
presença de ausências
amou tarde
endureceu
sementes encapsuladas
em venenosa quantidade
brotaram via acessos de fúria e som
explodiram figos nas doze badaladas
baladas do baleado homem-bomba
sem relógio
tempo de se mear
se recolher
maçãntes horas sidrosas
lavoura mecanizada
macieiras arcaicas
plástifruticas tutti cítricas
caixões e caixotes de segunda à sexta
feira de inutilidades
em pleno outônico
estacionamentos proibidos
numa manhã geada
as estradas engarrafaram sucos
caminhões de mudança
congestionaram pontes de safena
abriram-se novos caminhos
atalhos para enciclopédias recicladas
ciclovias para cíclopes em vias de extinção
pontos cegos no espelho
o trem-bala segue célere
a-celerado saindo dos trilhos
atropelando trevos de quatro folhas
rumo ao coração das trevas
onde repousa a verdadeira maçã verde.
guardado na garagem
entre velhas folhadas de jornal
migalhas de notícias adormecidas
esperando a derradeira viagem
a lição sabia de cor
mudou de cor
corou a verdejante vergonha
de sair ao mundo exterior
rubra coragem de agir
como mão-de-obra
mostrar-se vazio
sugar a seiva
presença de ausências
amou tarde
endureceu
sementes encapsuladas
em venenosa quantidade
brotaram via acessos de fúria e som
explodiram figos nas doze badaladas
baladas do baleado homem-bomba
sem relógio
tempo de se mear
se recolher
maçãntes horas sidrosas
lavoura mecanizada
macieiras arcaicas
plástifruticas tutti cítricas
caixões e caixotes de segunda à sexta
feira de inutilidades
em pleno outônico
estacionamentos proibidos
numa manhã geada
as estradas engarrafaram sucos
caminhões de mudança
congestionaram pontes de safena
abriram-se novos caminhos
atalhos para enciclopédias recicladas
ciclovias para cíclopes em vias de extinção
pontos cegos no espelho
o trem-bala segue célere
a-celerado saindo dos trilhos
atropelando trevos de quatro folhas
rumo ao coração das trevas
onde repousa a verdadeira maçã verde.
22 Outubro, 2008
21 Outubro, 2008
OS NASCENTES E O SOL

Circulação de sol condicionado
queima o peito, acanha
girassolar a dor febril
vapor arde o ar de vento quente
transbordam os seres liquidados
automotores abortam seus destinos
heterônomos fora-da-lei
lei-de-quem-faz-as-leis
lei-de-quem-não-escreveu-nem-leu
clandestinos a bordo da nau em chamas
cada um com seu canto
das sereias
cada qual no seu canto
com as sirenes
ventilador transforma calor
assim assados
assinam termo-da-vida-dinâmica
desmedidas e duvidosas dívidas
termômetro de pressão alta
mede o que não tem remendo
remenda o que não tem remédio
pulsa o que pulula
palpitantes, sobretudo
saltam uns sobre os outros
copulam gerando cópias de papoulas
pupilas lacrimejantes
almejam sombra e água fresca
superpopulação de filhos do sol
cataventos inúteis ante o suor de sal
mar sem ondas, antenas desligadas
estômagos em brasa, abraços de mormaços
liga de aço, mistério, areia
vidro, cacos de vida
pró-fusão de mornos desejos
ninguém liga para a funda-mental tarefa:
dureza de amadurecer
em meio a amnésia popular
enriquece parcialmente a podridão ímpar
enrijece a carne na pobreza dos que esquecem
que a miséria está na mente dos que mentem
superfilhosdaputa
dizem que o sol nasceu pra todos
"amanhã...amanhã de noite..."
fazem de tudo para retardar a tarde
enquanto esperamos
a geração de novos tempos
refrigerados.

Circulação de sol condicionado
queima o peito, acanha
girassolar a dor febril
vapor arde o ar de vento quente
transbordam os seres liquidados
automotores abortam seus destinos
heterônomos fora-da-lei
lei-de-quem-faz-as-leis
lei-de-quem-não-escreveu-nem-leu
clandestinos a bordo da nau em chamas
cada um com seu canto
das sereias
cada qual no seu canto
com as sirenes
ventilador transforma calor
assim assados
assinam termo-da-vida-dinâmica
desmedidas e duvidosas dívidas
termômetro de pressão alta
mede o que não tem remendo
remenda o que não tem remédio
pulsa o que pulula
palpitantes, sobretudo
saltam uns sobre os outros
copulam gerando cópias de papoulas
pupilas lacrimejantes
almejam sombra e água fresca
superpopulação de filhos do sol
cataventos inúteis ante o suor de sal
mar sem ondas, antenas desligadas
estômagos em brasa, abraços de mormaços
liga de aço, mistério, areia
vidro, cacos de vida
pró-fusão de mornos desejos
ninguém liga para a funda-mental tarefa:
dureza de amadurecer
em meio a amnésia popular
enriquece parcialmente a podridão ímpar
enrijece a carne na pobreza dos que esquecem
que a miséria está na mente dos que mentem
superfilhosdaputa
dizem que o sol nasceu pra todos
"amanhã...amanhã de noite..."
fazem de tudo para retardar a tarde
enquanto esperamos
a geração de novos tempos
refrigerados.
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