AGORA QUE O DEPOIS NÃO
FOI E O ANTES AINDA É
FOI E O ANTES AINDA É
Agostinho de Hipona
Essas coisas ou sua memória estão nos livros - que custodio na torre - aqui estão na torre onde jazo, recordando os dias que foram de outros, os alheios e antigos. (Jorge Luis Borges)



Dizia sempre a fatídica palavra não importando a circunstância. Era um hábito adquirido, mas houvera um tempo em que simplesmente não dizia nada. Apenas ouvia sem compreender direito como tantos sons podiam carecer de significado. Ainda criança, quando morreu de desgosto pela primeira vez, resolveu concordar com o nonsense. No início a emitiu como um engasgo, mas depois acostumou e seguiu dizendo. Escravizou-se como mero serviçal da insensatez. Fazendo favores estúpidos e agradecendo estupidamente, juntando trastes inúteis, carregando sacolas de pecados alheios, sendo garoto de recados, servindo de bucha de canhão, e/ou isca de tubarão e/ou boi de piranha. Um dia um amigo perguntou se ele não conhecia aquela palavra com três letrinhas. Ele sorriu e respondeu: SIM! Entretanto, o que realmente modificou sua atitude foi o encontro com o Sr. Bartleby. A partir daí achou melhor não dizer mais. "Acho melhor não fazer" tornou-se um lema...e tinha sentido e significado!!! Por quê? Acho melhor não dizer...